quinta-feira, 25 de junho de 2009

domingo, 21 de junho de 2009

Dificuldades de Aprendizagem e o uso do Computador

Antes de falar dos Distúrbios de Aprendizagem, vamos ver o que se entende por aprendizagem.
“A Aprendizagem é um processo complexo que se realiza no interior do indivíduo através de experiência ou prática, provocando mudanças de comportamento relativamente permanentes”.
Para que a aprendizagem ocorra, segundo a psicóloga Renata Rocha Mazarakis, existem sete fatores fundamentais:
saúde física e mental
motivação
prévio domínio
maturação
inteligência
concentração ou atenção
memória
Quando ocorrem desordens de um ou mais destes fatores, sejam eles causados por problemas orgânicos, neurológicos, psicológicos, pedagógicos, socioeconômicos ou emocionais, interferindo no seu desenvolvimento educacional, podemos denominar então que o aluno apresenta “dificuldades de aprendizagem” (DA).
Podemos perceber isto, quando o aluno apresenta dificuldades para acompanhar o conteúdo escolar em relação ao ritmo dos colegas da mesma faixa etária., perante os mesmos conteúdos, o aluno com dificuldades de aprendizagem apresenta quadros de falta de atenção e concentração, hiperatividade, lentidão, medo, insegurança, raciocínio lento, tem potencial mas tem dificuldade em trabalhá-lo e desenvolvê-lo, baixo desempenho, notas baixas.
Segundo os professores, “eles vivem nas nuvens”, não fazem as lições, seus cadernos são incompletos, não fazem nada durante a aula, não demonstram interesse, distraem-se com facilidade, tem dificuldades para ouvir e se organizar. Bem, na maioria das vezes, as situações criadas em sala de aula para a construção do conhecimento não são as mais adequadas e atrativas para o aluno.
Os professores devem motivar seus alunos, principalmente os alunos com dificuldades de aprendizagem, provocando-lhes a curiosidade, o autodesafio e a paixão de aprender.
Para isto deve utilizar-se de recursos inseridos no contexto social do aluno, atualizar-se na “vivência infantil” (programas de televisão, cinema, jogos, brincadeiras, computador, internet....), criar situações de aprendizagem que promovam conflitos cognitivos e motivá-los o suficiente para promover a aprendizagem. Eles podem aprender também com a televisão, o rádio, o cinema, a internet e o uso adequado do computador de uma forma responsável e crítica.
Como o uso dos computadores pode auxiliar os alunos com dificuldades de aprendizagem? Quais as possíveis contribuições que o uso dos computadores como ferramentas educacionais podem proporcionar a estes alunos?
As novas tecnologias e principalmente os computadores têm nos transformado e isso é notório quando percebemos a familiaridade das crianças com botões e jogos eletrônicos. “É espantosa a intimidade das crianças com o mundo digital e esta é uma qualidade que deve ser aproveitada pela escola.“O aluno com DA pode encontrar por meio da informática educativa, um campo aberto para novas descobertas, independente das áreas ou disciplinas em que encontram suas dificuldades” (Weiss, 1999).
A imensa maioria das dificuldades de aprendizagem não se deve a deficiências cognitivas, mas à falta de autoconfiança de crianças e de adolescentes que se acostumaram a ouvir e a dizer “eu não sei”, “ eu não posso”.
A impessoalidade e a paciência infinita dos programas de computador - mesmo que eles jamais possam ter a sensibilidade de um bom educador - fazem com que até mesmo os erros sejam vistos de forma lúdica. Em caso de “erro” os alunos não interpretam como "punição" ou "censura", ao contrário do que pode acontecer quando a avaliação fica a cargo de um "outro" de carne e osso...
O computador se mostra um instrumento utilíssimo ao possibilitar que o professor acompanhe o desenvolvimento do raciocínio do pelo aluno, seja na resolução de problemas, utilizando jogos educativos, ou numa forma de expressar suas idéias.
O computador é usado como um instrumento de aprendizagem, onde o aluno atua e participa do seu processo de construção de conhecimentos de forma ativa, interagindo, reformulando, tendo como parceria o professor, agora mais no papel de um orientador. Estas situações favoreceram a criação de vínculos, não só com o professor, como também com o prazer de aprender, resgatando a auto-estima das crianças e a crença em suas possibilidades de produzir e criar e Através do computador, a criança aprende de forma prazerosa, espontânea e criativa, para que isso ocorra, é importante promover uma integração lúdica entre os conteúdos curriculares e as atividades realizadas no computador.
Não precisamos utilizar-nos de softwares caros e sofisticados, pois com criatividade e boa vontade conseguimos criar em aplicativos como o Word, Paint e Power Point, Front Page situações de aprendizagem que sejam estimulantes e desafiadoras criando espaços para a autoria e a comunicação, além de softwares específicos e jogos educativos que possibilitem o desenvolvimento das habilidades básicas dos alunos como atenção, concentração, discriminação visual e auditiva, memória, percepção visual, a organização espacial e temporal, o raciocínio lógico-matemático, coordenação visomotora, motricidade.
Os softwares utilizados devem ser inicialmente avaliados pelos professores que certamente poderão indicar para este ou aquele aluno qual o melhor programa conforme a habilidade e/ou competência a ser desenvolvida.
A utilização de Softwares simples e primários, na maioria das vezes, pode trazer resultados surpreendentes, pois processos cognitivos vêm à tona quando a criança é levada a observar detalhes da situação proposta, quando deve ler, interpretar, criar e descobrir a resposta para poder prosseguir.
Há softwares educacionais que oferecem desafios de acordo com o nível de aprendizagem que o aluno se encontra, pois, ao invés de seguir no mesmo ritmo de toda a classe, o aluno vai aprender no seu próprio ritmo sem que isso o deixe constrangido perante os demais. Aqueles que conseguirem terminar um nível de desafio poderão, sem interferências, partir para uma nova fase, mantendo o interesse e a concentração na expectativa de novas conquistas.
Nem só as dificuldades cognitivas podem ser trabalhas, as de natureza afetiva e emocional também. Crianças com TDAH reagem muito bem ao uso dos computadores na aprendizagem pelo fato que a intercalação de textos, imagens, sons e movimentos conseguirem capturar a sua atenção. A atividade com o computador propicia situações onde nos aproximarmos dos alunos que se apresentam às vezes arredios, inseguros, ansiosos, com baixa auto-estima, frustração e agressividade, pois diante da máquina, podemos perguntar o que ele esta fazendo, como ele faz determinada coisa ou simplesmente pedir para que nos ensine e assim promover a aproximação, o diálogo e a afetividade. Conseguimos dar aquela atenção necessária ao aluno sem expor as suas dificuldades perante os demais, pois estes estarão “ocupados demais”.
O papel fundamental do professor é oferecer condições, através do computador, para que o aluno possa construir seu próprio conhecimento, respeitando tempos e novas formas de pensar, oportunizando situações de aprendizagem onde o aluno possa criar, refletir, agir, questionar, interagir, enfim, que se torne sujeito da sua própria aprendizagem.
O computador torna-se um aliado poderoso e impessoal do professor no trabalho com alunos com DA, pois até a postura do professor, do ponto de vista do aluno, muda. Ele não é visto mais como o “senhor do conhecimento” (a nossa frente), mas como um companheiro, um orientador. Esta é a chamada relação aluno/computador/professor, o aprendiz, o instrumento, e o orientador, onde o professor sempre que for necessário e solicitado, fará as interferências necessárias que levarão o aluno a pensar, refletir, , testar hipóteses e concluir.
As novas tecnologias e o uso do computador só terão sentido a partir de uma mudança da postura pedagógica do professor com um repensar deste sobre o seu fazer pedagógico, pois o computador por si só não faz milagres, apenas potencializa o que já existe.

Vida de General Osório